Líder da UNITA denuncia "democracia tutelada"
O líder da UNITA, Isaías Samakuva, denunciou hoje em Lisboa a "democracia tutelada" que actualmente existe em Angola e falou em perseguições de militantes da oposição e sedes do partido queimadas durante a noite.
Convidado para os habituais almoços de segunda-feira do CDS-PP no Largo do Caldas, em Lisboa, Samakuva afirmou que ter um cartão da UNITA ou de outro partido da oposição é um "risco" em Angola.
"Como é que eles podem falar numa agenda nacional de consenso quando os nossos membros são perseguidos e já contabilizámos cinco mortos", afirmou.
Segundo o Presidente da UNITA, "os militantes de qualquer partido (da oposição) não conseguem obter crédito, não conseguem emprego ou são expulsos dos empregos que têm".
"Os partidos de oposição são impedidos de construir as suas sedes no resto do país e as sedes construídas são destruídas misteriosamente durante a noite", acrescentou.
"A situação está explosiva. As populações estão só à espera que alguém lhes diga que saiam para a rua. Mas não o podemos fazer porque se as populações (Ó), com a raiva que sentem, atacarem ou saquearem lojas", o MPLA e o Governo apontarão o dedo à UNITA, adiantou Samakuva.
"Há pessoas do MPLA, mesmo das suas estruturas, que estão descontentes com a situação. Sabemos que nas Forças Armadas há quem não esteja de acordo com a forma como o país está a ser gerido", disse.
"O partido no Poder tem tendência a utilizar as Forças Armadas como força política e é visível que existe uma resistência dentro das Forças Armadas em aceitar isso", acrescentou.
No entanto, Samakuva é da opinião que "daí até se falar em golpe de Estado ou rebelião vai uma grande distância".
Perante uma sala completamente cheia com meia centena de convidados, o líder do principal partido de oposição angolana reiterou a defesa da democracia que a UNITA vem fazendo desde antes da independência de Angola e frisou a necessidade de cumprir a Constituição e realizar eleições.
"A democracia não tem sido exercida no nosso país. Temos uma democracia tutelada, uma democracia que só é exercida quando interessa ao partido do Poder", comentou.
"Não há democracia sem eleições, sem o povo escolher livremente os seus representantes. Estamos com um Parlamento há 14 anos e não sabemos quando serão as eleições. O Presidente nunca foi eleito e não sabemos quando podemos eleger um para o nosso país", sublinhou.
Também a liberdade de expressão é "bastante questionada" em Angola, referiu Samakuva: "A nova lei da imprensa, adoptada em 2006, ainda proíbe que as estações de rádio controladas pelo sector privado transmitam para o país inteiro".
"A UNITA tem procurado influenciar a sociedade angolana para que possa compreender o valor da democracia. A democracia é um processo que tem de ser dinâmico e vivido no dia-a-dia", explicou Samakuva.
Garantindo que hoje há "receio" de falar de democracia em Angola, o líder da oposição revelou que começa a ganhar peso a ideia de instituir no país um sistema de partido único com uma economia de mercado, como na China.
"Já se ouvem vozes a dizer que antes de nos preocuparmos com a democracia, devíamos preocupar-nos com a reconstrução do país", afirmou.
Defendendo que "não há desenvolvimento se não houver democracia", Isaías Samakuva revelou que mesmo nesta "democracia económica" que se pretende instalar em Angola, "os investimentos fazem- se quase só com o sector público".
Sobre a presença cada vez maior da China em Angola, Samakuva citou o falecido general português Kaúlza de Arriaga - que há muitos anos "já chamava a atenção para o perigo amarelo" - para falar na necessidade de "uma grande reflexão".
"O próprio Presidente José Eduardo dos Santos reconheceu que o mal maior de Angola desde o fim da guerra é a corrupção", referiu Samakuva, para acrescentar que a corrupção não acabará com o aprofundamento das relações com a China, pois o Governo chinês não exige mudanças políticas ou transparência para cooperar com Angola.
Para Samakuva, a relação entre Luanda e Pequim também é desvantajosa para Angola, porque "a China não quer criar empregos e até usa a sua própria mão-de-obra para abrir buracos para os cabos eléctricos", além de que as suas obras "são de má qualidade".
O líder da UNITA falou de casas que as pessoas rejeitam por receio de que venham a desabar e deu o exemplo do novo hospital de Luanda, que, entre muitas outras coisas, tem elevadores onde não cabem as macas.
"É aqui que vemos que a cooperação com Portugal deve ser estabelecida e reforçada. As relações Estado com Estado são importantes, mas as mais profícuas e duradouras são as que se estabelecem entre os povos", defendeu.
"Deve haver mais investimentos, mais trocas comerciais. Os portugueses fizeram investigações em Angola, já estudaram os solos e sabem onde se deve plantar o feijão, onde se deve plantar a batata", acrescentou.
"Queremos fortalecer as relações de Angola com Portugal e queremos jogar o nosso papel nesse fortalecimento", concluiu.
Convidado para os habituais almoços de segunda-feira do CDS-PP no Largo do Caldas, em Lisboa, Samakuva afirmou que ter um cartão da UNITA ou de outro partido da oposição é um "risco" em Angola.
"Como é que eles podem falar numa agenda nacional de consenso quando os nossos membros são perseguidos e já contabilizámos cinco mortos", afirmou.
Segundo o Presidente da UNITA, "os militantes de qualquer partido (da oposição) não conseguem obter crédito, não conseguem emprego ou são expulsos dos empregos que têm".
"Os partidos de oposição são impedidos de construir as suas sedes no resto do país e as sedes construídas são destruídas misteriosamente durante a noite", acrescentou.
"A situação está explosiva. As populações estão só à espera que alguém lhes diga que saiam para a rua. Mas não o podemos fazer porque se as populações (Ó), com a raiva que sentem, atacarem ou saquearem lojas", o MPLA e o Governo apontarão o dedo à UNITA, adiantou Samakuva.
"Há pessoas do MPLA, mesmo das suas estruturas, que estão descontentes com a situação. Sabemos que nas Forças Armadas há quem não esteja de acordo com a forma como o país está a ser gerido", disse.
"O partido no Poder tem tendência a utilizar as Forças Armadas como força política e é visível que existe uma resistência dentro das Forças Armadas em aceitar isso", acrescentou.
No entanto, Samakuva é da opinião que "daí até se falar em golpe de Estado ou rebelião vai uma grande distância".
Perante uma sala completamente cheia com meia centena de convidados, o líder do principal partido de oposição angolana reiterou a defesa da democracia que a UNITA vem fazendo desde antes da independência de Angola e frisou a necessidade de cumprir a Constituição e realizar eleições.
"A democracia não tem sido exercida no nosso país. Temos uma democracia tutelada, uma democracia que só é exercida quando interessa ao partido do Poder", comentou.
"Não há democracia sem eleições, sem o povo escolher livremente os seus representantes. Estamos com um Parlamento há 14 anos e não sabemos quando serão as eleições. O Presidente nunca foi eleito e não sabemos quando podemos eleger um para o nosso país", sublinhou.
Também a liberdade de expressão é "bastante questionada" em Angola, referiu Samakuva: "A nova lei da imprensa, adoptada em 2006, ainda proíbe que as estações de rádio controladas pelo sector privado transmitam para o país inteiro".
"A UNITA tem procurado influenciar a sociedade angolana para que possa compreender o valor da democracia. A democracia é um processo que tem de ser dinâmico e vivido no dia-a-dia", explicou Samakuva.
Garantindo que hoje há "receio" de falar de democracia em Angola, o líder da oposição revelou que começa a ganhar peso a ideia de instituir no país um sistema de partido único com uma economia de mercado, como na China.
"Já se ouvem vozes a dizer que antes de nos preocuparmos com a democracia, devíamos preocupar-nos com a reconstrução do país", afirmou.
Defendendo que "não há desenvolvimento se não houver democracia", Isaías Samakuva revelou que mesmo nesta "democracia económica" que se pretende instalar em Angola, "os investimentos fazem- se quase só com o sector público".
Sobre a presença cada vez maior da China em Angola, Samakuva citou o falecido general português Kaúlza de Arriaga - que há muitos anos "já chamava a atenção para o perigo amarelo" - para falar na necessidade de "uma grande reflexão".
"O próprio Presidente José Eduardo dos Santos reconheceu que o mal maior de Angola desde o fim da guerra é a corrupção", referiu Samakuva, para acrescentar que a corrupção não acabará com o aprofundamento das relações com a China, pois o Governo chinês não exige mudanças políticas ou transparência para cooperar com Angola.
Para Samakuva, a relação entre Luanda e Pequim também é desvantajosa para Angola, porque "a China não quer criar empregos e até usa a sua própria mão-de-obra para abrir buracos para os cabos eléctricos", além de que as suas obras "são de má qualidade".
O líder da UNITA falou de casas que as pessoas rejeitam por receio de que venham a desabar e deu o exemplo do novo hospital de Luanda, que, entre muitas outras coisas, tem elevadores onde não cabem as macas.
"É aqui que vemos que a cooperação com Portugal deve ser estabelecida e reforçada. As relações Estado com Estado são importantes, mas as mais profícuas e duradouras são as que se estabelecem entre os povos", defendeu.
"Deve haver mais investimentos, mais trocas comerciais. Os portugueses fizeram investigações em Angola, já estudaram os solos e sabem onde se deve plantar o feijão, onde se deve plantar a batata", acrescentou.
"Queremos fortalecer as relações de Angola com Portugal e queremos jogar o nosso papel nesse fortalecimento", concluiu.
in Lusa






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