quinta-feira, novembro 09, 2006

Diogo Feyo acusa um Estado "obeso"

O PSD acusou hoje o primeiro-ministro, José Sócrates, de atacar o presidente do governo regional da Madeira, Alberto João Jardim, perdendo "o sentido de Estado", com o objectivo de iludir a insatisfação popular com a sua governação.
A relação entre Governo e região autónoma da Madeira, abordada pelo primeiro-ministro no discurso de abertura do debate na generalidade do Orçamento do Estado para 2007, no Parlamento, ocupou hoje parte do discurso de encerramento do PSD.
O líder parlamentar social-democrata argumentou que José Sócrates "sabe, sente" que está a perder "a credibilidade da sua governação" perante a "insatisfação social crescente", o que o colocou num "estado de necessidade de uma prova de autoridade".
Luís Marques Guedes acusou ainda Sócrates de confundir as funções de primeiro-ministro e secretário-geral do PS ao "concentrar as atenções num inimigo de estimação que lhe permita sublimar as frustrações da família socialista".
"O ataque obsessivo e pessoalmente dirigido" contra Jardim "é um acto de populismo primário", sustentou Marques Guedes.
"Revela uma visão claramente distorcida, quando não a total falência do sentido de Estado e de responsabilidade que se espera de um primeiro-ministro. É bom que arrepie caminho porque a sua estratégia está a levá-lo a passar das marcas", acrescentou.
Marques Guedes argumentou que Sócrates também "cedeu à confusão entre a sua função de primeiro-ministro e o papel de secretário-geral do PS" e estava a pensar no congresso socialista ao apresentar medidas para aumentar a carga fiscal sobre a banca.
O mesmo foi dito pelo deputado do CDS-PP Diogo Feio: "O primeiro-ministro não resistiu e cedeu ao secretário-geral do PS em vésperas de congresso. Sentiu que estava com um défice de esquerda, que precisava de representantes da banca a chamar-lhe populista".
O líder parlamentar do PSD defendeu que o primeiro-ministro não tem forma de convencer os portugueses de que "sempre defendeu a justiça de introdução de portagens nas SCUT para aqueles que as podem pagar", novas taxas na saúde ou "o aumento dos impostos em catadupa".
Sem o aumento da carga fiscal ocorrido desde a governação socialista o défice previsto para 2007 seria na ordem dos 5,3 por cento e não 3,7 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), referiu Marques Guedes, contestando a opção de "aumentar impostos, sacrificar o investimento".
Marques Guedes justificou desta forma o voto do PSD contra o Orçamento do Estado para 2007 e recordou as propostas de alteração do partido como um escalão do IRC para as micro e pequenas empresas, tributar mais quem tem uma segunda habitação.
O dirigente social-democrata repetiu a ideia de que o Governo criou uma "formidável máquina de informação" e "propaganda" e governamentalizou a RTP, afirmando que o Parlamento não é como os "palcos preparados para autênticos tempos de antena".
Por sua vez, Diogo Feio disse que "o CDS nunca poderia votar de outra forma" sem ser contra o orçamento "com convicção", apesar de o partido apenas ter tomado essa decisão na semana passada, o que causou alguma polémica interna.
O aumento da dívida pública e da carga fiscal, a contracção do investimento "para níveis que fazem corar qualquer liberal" e a manutenção de um "Estado obeso, que toma o lugar dos privados" foram razões apontadas por Diogo Feio.
O deputado do CDS-PP acusou igualmente o Governo de estar "a rectificar" promessas eleitorais e propôs medidas como "um regime mais favorável para as Pequenas e Médias Empresas (PME)" ou "uma boa fiscalidade para as famílias", com a divisão do rendimento a tributar "não só por marido e mulher mas também pelos filhos".

in Lusa