terça-feira, maio 30, 2006

Um projecto para 'bombar' o coração da Baixa-Chiado


A Baixa-Chiado, coração histórico de Lisboa, pode vir a tornar-se dentro de alguns anos um grande centro comercial e cultural a céu aberto. O comissariado que a Câmara Municipal de Lisboa nomeou para estudar a revitalização da Baixa lisboeta já tem o seu trabalho adiantado. É um projecto ambicioso que prevê que a frente ribeirinha deixe de ser espaço de atravessamento, desviando-se assim o trânsito para outros eixos. Pretende-se mais espaço para os peões, mais actividade comercial virada para o lazer, indústrias criativas, património arquitectónico recuperado.

São muitas as ideias que o comissariado liderado pela vereadora Maria José Nogueira Pinto já articulou e que poderão devolver à cidade um coração mais saudável. "Vamos bombar o coração de Lisboa" é o objectivo da vereadora, que encara esta iniciativa como um desígnio nacional. A revitalização da Baixa pombalina é um objectivo há muito perseguido, mas só agora devidamente articulado.
No dia 22 de Setembro, o comissariado vai apresentar o seu plano, que inclui um cronograma, e os modelos de financiamento, institucional e operacional. Se tudo correr bem, o que implica um entendimento entre a Câmara e o Governo, os trabalhos podem iniciar-se logo em 2007 e de-senvolver-se durante alguns anos. Aponta-se 2010 como ano de transição, curiosamente o ano em que se comemora o centenário da República. Prevê-se que nessa altura já esteja resolvido o desvio do trânsito na frente ribeirinha, que esteja construído um terminal para cruzeiros perto do Terreiro do Paço e que as agências europeias da Droga e Toxicodependência e da Segurança Marítima se instalem nas suas imediações. Nesta mesma zona, onde a Armada possui instalações propõe-se a criação de um Museu da Língua Portuguesa.
Libertar o Quartel do Carmo para fins históricos ou como palco de moda e design é outra ideia do plano do comissariado. Para o Largo Barão de Quintela, agora envolto em polémica (ler peça em baixo), prevê-se a saída dos bombeiros e dos carros. Integrará uma zona pedonal.
A ideia estruturante não é a habitação e o emprego, mas o consumo e o lazer. Isso não quer dizer que não se deseje mais população residente. Hoje habitam a Baixa cerca de 5000 pessoas, esperando-se que o projecto atraia mais 9000. O foco é dirigido para jovens dinâmicos e idosos. A reabilitação urbana irá valorizar o património e os preços dos serviços, mais qualificados, acompanharão a evolução. O emprego a gerar passa por actividades criativas dentro da economia do conhecimento e pelo turismo. Lisboa é o principal pólo turístico do País e prevê-se que em 2020 duplique o seu movimento. Na área de intervenção da Baixa-Chiado projectam-se mais mil camas.
Outra ideia passa pelo reordenamento do centro financeiro, mais integrado, por redefinir os serviços do Estado e atrair pós-graduações universitárias.Maria José Nogueira Pinto admite que foi este o desígnio que pediu a Carmona Rodrigues. Um desígnio para vários mandatos e que necessitará de instrumentos legais expeditos. Implicará uma revisão do Plano Director Municipal e a criação de um regime de excepção, tal como aconteceu com a Expo'98, para se desburocratizar e agilizar o processo. Este projecto de revitalização, cujos custos ainda não estão avaliados, pode voltar a colocar na ordem do dia a candidatura da Baixa pombalina a Património da Humanidade, suspensa por ausência de um plano de gestão para esta área.

DN

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