quinta-feira, março 09, 2006

Paulo Portas em "O Estado da Arte"

O ex-líder do CDS-PP Paulo Portas vaticinou terça-feira à noite que Cavaco Silva será um Presidente da República "tendencialmente previsível" e com uma atenção especial ao problema das finanças públicas.
Na estreia do programa televisivo de opinião "O Estado da Arte", na SIC-Notícias, Portas defendeu que, ainda que "possa cansar ou maçar", "a previsibilidade em funções de Estado é uma virtude".
"Cavaco Silva tem sido claro ao definir um parâmetro, o respeito pela Constituição, e uma regra, a estabilidade", realçou Portas, prevendo pouca conflitualidade entre Belém e o Governo.
"A reeleição em Portugal é feita com base na concórdia", acrescentou.
O actual deputado do CDS defendeu três áreas chave na intervenção presidencial: justiça, defesa e política externa.
"Uma reforma da justiça é decisiva, é a mais importante do nosso sistema institucional", afirmou Portas, defendendo um entendimento alargado entre Governo, Presidente e oposição.
Na área da Defesa, que tutelou entre 2002 e 2004, Portas alertou para o atraso de um ano na aprovação da Lei de Programação Militar, e na da política externa aproveitou para criticar indirectamente o actual ministro dos Negócios Estrangeiros e fundador do CDS, Freitas do Amaral.
"Portugal deve falar a uma só voz e essa voz não deve ser de bizarria e extravagância", salientou, manifestando também curiosidade sobre qual será a primeira visita do futuro Presidente da República.
Pela formação de economista de Cavaco Silva, que será empossado quinta-feira, Portas acredita que "ninguém esperará menos rigor" do chefe de Estado em relação ao problema das finanças públicas.
Sobre o ainda Presidente da República, Jorge Sampaio, o ex-líder do CDS-PP deixou elogios à forma como desempenhou o cargo de Comandante Supremo das Forças Armadas, mas não esqueceu a dissolução do Governo de coligação PSD/CDS, liderado por Pedro Santana Lopes e em que era ministro de Estado e da Defesa.
"O meu campo político, não exactamente o meu partido, deu pretextos, o Presidente aproveitou-os e colocou no Governo o partido que o elegeu", concluiu Portas.
Questionado sobre a sua própria ambição presidencial, Paulo Portas afirmou que este "não é nem o tempo nem a função".
"Daqui a 20 anos terei a idade do professor Cavaco Silva e daqui a 40 a de Mário SoaresÓO destino não se força, é preciso saber se isso terá algum dia interesse para o país e se me sentirei capaz", referiu.
Apesar de considerar ser, ao fim de um ano, "muito cedo" para avaliar o Governo de José Sócrates, Portas considerou positivo o esforço desenvolvido na revitalização da economia real, mas criticou o aumento da pressão fiscal sobre a classe média.
Ao deputado socialista e candidato presidencial Manuel Alegre, Paulo Portas reconheceu o mérito de ter "reduzido Mário Soares a um resultado epígono", mas considerou que a votação que teve "só acontece uma vez".
"Vai ser um teste à paciência do primeiro-ministro e ao jogo de cintura do deputado Manuel Alegre", disse.
Na recta final do programa, o ex-líder do CDS ainda se pronunciou sobre a Oferta Pública de Aquisição (OPA) sobre a PT.
Apesar de considerar que "o Governo não tem estado mal" no processo, Portas considerou "completamente injusto que possa ter todos os poderes com apenas 500 acções", a 'golden share' de que o primeiro-ministro diz não querer abdicar.
Na área internacional, a que é dedicada uma parte d'"O Estado da Arte", Paulo Portas recordou o papa João Paulo II como "a pessoa determinante para a queda do comunismo".

Lusa

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