terça-feira, janeiro 10, 2006

Teresa Caeiro aponta "perturbações" na cultura em Portugal

A ex-secretária de Estado das Artes e Espectáculos, Teresa Caeiro, classificou segunda-feira a conferência de imprensa dada pela ministra da Cultura como notória de "uma grande perturbação" na área da cultura.
"A cultura é um sector que exige estabilidade, previsibilidade e capacidade de planeamento a médio prazo e tem-se assistido ao contrário", criticou Teresa Caeiro.
Em declarações à Agência Lusa, Teresa Caeiro classificou as últimas contestações no sector da cultura como "um exemplo da política errática e do acumular de tensões".
A ex-secretária de Estado das Artes e Espectáculos chegou mesmo a acusar o Ministério de ter uma "concepção dirigista" da cultura porque "se imiscui" na programação e nas contas dos diversos institutos e instituições.
"É para isso que se escolhe um director", afirmou.
A dirigente e deputada do CDS/PP considerou que a área cultural tem assistido a "situações bizarras" e sofrido com a "arrogância" por parte do Ministério e deu como exemplo o facto do director do Teatro Nacional D. Maria II, António Lagarto, ter alegadamente sabido da sua demissão pela imprensa.
Para Teresa Caeiro, a sucessão de afastamentos de dirigentes de organismos culturais públicos antes do término do mandato a que estavam destinados denota indicações políticas.
"Não se compreende que todos os directores tenham de ser afastados", disse.
"A ministra deve explicar como se chega a esta situação e o porquê do afastamento destes dirigentes", considerou, acrescentando:
"a cultura é um sector com características muito específicas porque é um investimento a longo prazo que necessita estabilidade e continuidade".
A ultima contestação à actuação da ministra Isabel Pires de Lima concentrou cerca de 80 pessoas, entre as quais actores e encenadores, domingo à noite à porta do Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa, numa vigília de apoio ao director António Lagarto, que deverá ser substituído na próxima semana.
Na passada sexta-feira fonte do Ministério da Cultura disse à Agência Lusa que o director do Teatro Nacional D. Maria II, António Lagarto, à frente da instituição desde 2003, será substituído na próxima semana por Carlos Fragateiro, actual responsável do Teatro da Trindade.
Notícia Lusa

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