segunda-feira, maio 30, 2005

CDS/PP critica «contradições» de Sócrates

O CDS/PP sublinhou quarta-feira, passada, na Assembleia da República, as «contradições» entre as promessas eleitorais do PS de não aumentar impostos e o anúncio da subida do IVA.

O líder parlamentar do CDS/PP, Nuno Melo, criticou as medidas previstas pelo Governo para combater o défice, acusando José Sócrates de retomar o discurso «da tanga» e «trair os compromissos eleitorais que assumiu com os portugueses».
«Na campanha veio garantir que não iria aumentar impostos, hoje ficámos estupefactos ao ouvi-lo dizer que aumentaria a taxa do IVA em 2%», afirmou Nuno Melo, recordando as críticas do PS, em 2002, quando o executivo PSD/CDS-PP aumentou o IVA de 17 para 19%.

«O aumento do IVA não pode ser bom ou mau consoante a maioria que o anuncia», afirmou Nuno Melo, trazendo ao debate um artigo da época assinado por José Sócrates, em que este chamava ao ex-primeiro- ministro Durão Barroso «apagador de promessas» por ter subido os impostos depois de dizer que não o faria.


«Não me diga que quer recuperar o cognome», ironizou Nuno Melo.

Na resposta, o primeiro-ministro contra-atacou, sublinhando a diferença entre o défice previsto no Orçamento para 2005 elaborado pelo executivo PSD/CDS - 4,2% sem recurso a receitas extraordinárias - e o valor agora apurado, 6,83%.

«A única mentira é a do Orçamento de Estado para 2005», criticou José Sócrates, desafiando Nuno Melo a explicar porque é que o ex-ministro das Finanças Bagão Félix, indicado pelo CDS/PP, não inscreveu no Orçamento o valor previsto para os aumentos de pensões e salários.

«A isto não se chama engano nas previsões, a isto chama-se embuste», afirmou, acusando o anterior Governo de ter elaborado o Orçamento «como se fosse um totobola, onde pôs umas cruzes na esperança de acertar».

Para justificar a mudança de posição em matéria de impostos, o primeiro-ministro reiterou que, durante a campanha eleitoral, a sua convicção era a de que o défice rondaria os 5%, caso em que «seria um erro aumentar os impostos».

- Diário Digital / Lusa

São contradições extremamente graves, que colocam em causa a confiança dos cidadãos.

Questiono:
- O PS não esteve na AR no momento da discussão, na generalidade e especialidade do OGE?

- Esteve?
Esteve. Tenho a certeza de que esteve, pelo menos vi as transmissões em directo dos debates.

Tinham conhecimento do estado das finanças pública, e ainda assim fizeram promessas absolutamente irreais, que agora não só não cumprem, como fazem o oposto do prometido.

Como se terá oportunidade de constatar, num futuro próximo, as declarações efectuadas durante a campanha e as contradições actuais serão a causa da "autofagia do PS" - aguardemos pelos resultados das autárquicas.