quinta-feira, abril 14, 2005

"Telmo contará comigo"

Entrevista publicada na edição de hoje do Correio da Manhã:
"António Carlos Monteiro, presidente da distrital de Lisboa do CDS-PP, avisa os possíveis candidatos à liderança no próximo congresso que é errado perpetuar artificialmente um ciclo que terminou com a demissão de Paulo Portas. Diz que Telmo Correia tem as melhores condições para unir o partido e, por isso, contará com o seu apoio.

Correio da Manhã – Qual é a sua expectativa em relação ao próximo congresso do CDS?

António Carlos Monteiro – Há uma coisa que, para nós, é importante neste congresso: da mesma forma que entendemos que é necessário que se faça uma reflexão estratégica, achamos que este novo congresso não deve servir para perpetuar artificialmente um ciclo que terminou com a demissão do dr. Paulo Portas. Deve servir, isso sim, para lançar um novo ciclo com uma nova liderança e com uma nova estratégia.

– O que é que quer dizer com ‘não perpetuar artificialmente um ciclo’?

– Significa que apesar de haver vários nomes que são discutidos como possíveis soluções de liderança, entendemos que este novo ciclo só fará sentido se tivermos um líder que possa não só protagonizar estas ideias mas também que tenha vontade de criar esse novo ciclo.

– De todos os nomes possíveis para a liderança, qual é o que merece o seu apoio?
– Entendemos que, se o dr. Telmo Correia decidir avançar com uma candidatura, será a pessoa que terá as melhores condições para unir o partido em torno de um novo ciclo.
– E se Telmo Correia não avançar? Existe um plano B?

– Isto não se faz em torno de planos A, planos B ou C. Isto faz-se na convicção de que é fundamental para o partido iniciar um novo ciclo. Como já referi, não concordamos com a perpetuação artificial do ciclo anterior.
– Falou-se na possibilidade de uma candidatura do eurodeputado José Ribeiro e Castro. O que é que pensa dessa hipótese?
– Digo apenas que considero fundamental que uma candidatura tenha condições de mobilizar o partido para esse novo ciclo e seja capaz de unir o partido em torno desse novo ciclo...
– Pelos vistos a saída de Paulo Portas está a criar grandes dificuldades ao partido, porque, a menos de duas semanas do congresso, ainda não há candidatos assumidos à liderança.
– Eu aí responderia que o segredo é a alma do negócio. Com naturalidade surgirá sempre uma candidatura que poderá protagonizar a estratégia que vier a ser definida pelo partido.
– Se Telmo Correia avançar para a liderança, admite integrar a lista de candidatos aos órgãos directivos do partido?
– Como é evidente isso dependerá sempre de um convite. E ainda não foi feito. É certo que há uma coisa que eu penso poder dizer a título pessoal: o dr. Telmo Correia contará comigo para aquilo que considera importante.

A ESTRATÉGIA E AS MOÇÕES
CM – Telmo Correia não entregou uma moção de estratégia global. A ideia é fundir as principais moções, nomeadamente a de Lisboa e a do Porto/Braga?
A.C.M. – Penso que, neste momento, em relação às moções o que está em causa é ainda o debate das ideias que cada moção apresenta e fazermos uma reflexão em conjunto. Mas é evidente que o partido terá de ter uma estratégia e ela pode ser o resultado de uma ou de várias moções. É certo que nós entendemos que aquilo que é a futura liderança dependerá do surgimento, com naturalidade, de uma candidatura que consiga face àquilo que são as suas ideias e estratégia definida em moção ou moções."