"A Direita em Portugal"
Levo ao Vosso conhecimento o artigo publicado hoje na edição da FOCUS, do nosso Vice-Presidente da Mesa da Assembleia Concelhia, Dr. Carlos Melo Barroso:
"Temos hoje no panorama político a particularidade dos partidos de esquerda totalizarem mais de 60% dos votos e a raridade da extrema-esquerda situar-se a pouco mais de 1% dos democratas-cristãos. Isto faz-nos reflectir sobre a direita em Portugal, os seus desafios e os valores que defende.
Desde sempre existiu direita e esquerda. Porém, excluindo os extremistas, quase toda a actividade político-partidária passou a ser enquadrada ao centro.
Por isso, não encontramos grandes diferenças nos partidos do arco da governação, no que concerne aos grandes objectivos para o país. A decisão do voto, numa parte substancial do eleitorado, acaba por ser determinada por quem é o candidato, ignorando até os programas apresentados.
Mas não tem que ser, necessariamente, assim. Não pode ser assim.
Acredito que no futuro próximo a opção dos eleitores, face às exigências da nossa sociedade e da resolução dos seus problemas, vai passar a ser tomada tendo em conta os projectos, as ideologias e os valores defendidos por cada área política.
É certo que a nossa política interna está, em grande parte, condicionada pelas decisões tomadas no âmbito da União Europeia. Mas isso não explica tudo.
A direita encontra-se, neste momento, paralisada e sem sinais vitais visíveis. Mas ela existe.
Essa viragem ao centro não significa que não exista direita e esquerda e que não faça sentido proceder à sua distinção. O que importa é mostrar que ela existe, transmitir os valores da direita aos portugueses. E essa é a tarefa da direita portuguesa. Porque a esquerda não hesita em fazer-se ouvir.
Determinadas questões que a esquerda se quis, ilegitimamente, apropriar são, também, objectivos da direita. E, apesar dos objectivos poderem ser comuns, os meios para os atingir são substancialmente diferentes.
É óbvio que a evolução dos tempos implica a redefinição e adaptação de valores e de políticas, desde que de forma consistente. A direita portuguesa, mais do que nunca, precisa de definir um corpo de doutrina que transmita aos portugueses, como um programa de causas. Faz falta a Portugal conhecer as grandes bandeiras da direita democrática.
E esse é o grande desafio que se coloca a quem queira representar, verdadeiramente, a direita portuguesa.
Nestas poucas palavras é difícil concretizar os valores da direita e o que resulta deles. A título de exemplo serão, necessariamente, a defesa da iniciativa e propriedade privada, um estado subsidiário, redução do peso da despesa pública e da intervenção do estado, reforma do sistema de segurança social, flexibilização das relações de trabalho, promoção da solidariedade social e defesa da vida.
Uma vez criado esse conjunto de valores, estou certo que os portugueses perceberão a importância das verdadeiras políticas de direita e das soluções que tem para os nossos problemas. Não podemos é ter receio de dizer e mostrar que somos de direita! Muita gente quer integrar um projecto de direita capaz de representar uma direita democrática alternativa ao poder socialista.
Perante o espectro político português não acredito que possa ser o PSD a desempenhar essa função, porque tem uma forte tendência interna de centro esquerda.
O caminho da direita que a grande maioria dos portugueses pretende tem que passar pelo próximo congresso do CDS e pela sua actuação subsequente.
Quero poder contar no meu país com uma verdadeira direita. Uma direita assim pode contar com o meu apoio."
Desde sempre existiu direita e esquerda. Porém, excluindo os extremistas, quase toda a actividade político-partidária passou a ser enquadrada ao centro.
Por isso, não encontramos grandes diferenças nos partidos do arco da governação, no que concerne aos grandes objectivos para o país. A decisão do voto, numa parte substancial do eleitorado, acaba por ser determinada por quem é o candidato, ignorando até os programas apresentados.
Mas não tem que ser, necessariamente, assim. Não pode ser assim.
Acredito que no futuro próximo a opção dos eleitores, face às exigências da nossa sociedade e da resolução dos seus problemas, vai passar a ser tomada tendo em conta os projectos, as ideologias e os valores defendidos por cada área política.
É certo que a nossa política interna está, em grande parte, condicionada pelas decisões tomadas no âmbito da União Europeia. Mas isso não explica tudo.
A direita encontra-se, neste momento, paralisada e sem sinais vitais visíveis. Mas ela existe.
Essa viragem ao centro não significa que não exista direita e esquerda e que não faça sentido proceder à sua distinção. O que importa é mostrar que ela existe, transmitir os valores da direita aos portugueses. E essa é a tarefa da direita portuguesa. Porque a esquerda não hesita em fazer-se ouvir.
Determinadas questões que a esquerda se quis, ilegitimamente, apropriar são, também, objectivos da direita. E, apesar dos objectivos poderem ser comuns, os meios para os atingir são substancialmente diferentes.
É óbvio que a evolução dos tempos implica a redefinição e adaptação de valores e de políticas, desde que de forma consistente. A direita portuguesa, mais do que nunca, precisa de definir um corpo de doutrina que transmita aos portugueses, como um programa de causas. Faz falta a Portugal conhecer as grandes bandeiras da direita democrática.
E esse é o grande desafio que se coloca a quem queira representar, verdadeiramente, a direita portuguesa.
Nestas poucas palavras é difícil concretizar os valores da direita e o que resulta deles. A título de exemplo serão, necessariamente, a defesa da iniciativa e propriedade privada, um estado subsidiário, redução do peso da despesa pública e da intervenção do estado, reforma do sistema de segurança social, flexibilização das relações de trabalho, promoção da solidariedade social e defesa da vida.
Uma vez criado esse conjunto de valores, estou certo que os portugueses perceberão a importância das verdadeiras políticas de direita e das soluções que tem para os nossos problemas. Não podemos é ter receio de dizer e mostrar que somos de direita! Muita gente quer integrar um projecto de direita capaz de representar uma direita democrática alternativa ao poder socialista.
Perante o espectro político português não acredito que possa ser o PSD a desempenhar essa função, porque tem uma forte tendência interna de centro esquerda.
O caminho da direita que a grande maioria dos portugueses pretende tem que passar pelo próximo congresso do CDS e pela sua actuação subsequente.
Quero poder contar no meu país com uma verdadeira direita. Uma direita assim pode contar com o meu apoio."
Carlos Manuel Melo Barroso
Advogado






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